terça-feira, 2 de abril de 2013

Wladymirr, o começo

Wladymirr nasceu Wladymirr Stein Drumond. O Drumond é um sobrenome bem comum em Minas. O Stein é da mãe, de ascendência germânica. Ele é de Formiga, cidadezinha pacata do interior mineiro. Sempre gostou de estudar. Era uma criança quieta, no seu canto. Gostava de fazer experimentos. Não dava trabalho para os pais que, às vezes, até se esqueciam de que ele estava em casa. Tinha seu mundo à parte.

O interesse pela Física nasceu de um fora de uma garota. Sem jeito para com as meninas - e longe de ser o cara mais popular da sala - Wladymirr tentou se achegar na menina mais bonita da 8ª série (hoje, 9º ano). Ela deu bola, mas só para sacaneá-lo no final. Ele caiu na cilada. Fechou-se em copas.

Se Wlad já tinha tendência à introspecção, depois daquilo, ficou pior ainda. Devorava as contas de matemática, até que conheceu o Professor Assis. Era um tipo excêntrico, fechadão. Achou o professor semelhante a ele. E vice-versa. Daí a reciprocidade. Foi quando ele começou o amor pela Física, sobretudo pela Física Quântica. Não teve dúvidas: era isso que queria fazer no Vestibular.

Formiga ficou pequeno para ele e, por isso, era hora de ir para BH. Conseguiu passar de primeira na UFMG. Ficou em uma república mas, caráter fechado, não conseguiu se adaptar. No entanto, jovem brilhante, conseguiu uma bolsa e, junto com algumas aulas, alugou um quarto para si, enquanto fazia a faculdade, sempre tirando as melhores notas, o que o fez ser admirado pelos professores.

Foi quando, um dia, passando pelo campus, viu um cartaz de um mestrado em Berlim. Como tinha ascendência alemã, ficou interessado. Matriculou-se no Teuto e engoliu os livros. Aprendeu o difícil idioma de Goethe em três anos. Demonstrou o interesse pela bolsa na Alemanha e foi ajudado por um professor. No fim do curso, já estava de malas prontas.

Em Berlim, mergulhou na Física Quântica, até o dia em que conheceu o Professor Fritzel. Homem de meia-idade, tinha uma teoria toda própria sobre o tempo. Wladymirr ficou fascinado! Morou na casa de Fritzel, virou seu assistente imediato. Chegou a dar algumas aulas no lugar dele. Ficou mais dois anos, para o doutorado.

Quatro anos depois, resolveu voltar. Sentiu falta do pão de queijo com café preto. Nunca gostou de praia, mas o clima quente do Brasil era muito melhor que os rigorosos invernos alemães. Resolveu que voltaria. Pesquisou na Internet, viu que havia uma vaga para a UFES, Universidade Federal do Espírito Santo. Lembrava-se do ES, das férias em Guarapari, em Iriri, em Piúma - e da praia de Camburi, na capital do Estado. Sabia que a vaga seria dele. 

Fez a prova de admissão e passou em primeiro lugar. Dá aulas na UFES há uns três anos e, hoje, dedica-se a desenvolver sua própria teoria sobre o tempo.  

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